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Enzimas Hepáticas: O que preciso saber?

As hepatopatias são uma rotina no atendimento veterinário e estão presentes em animais de todas as espécies, raças e faixas etárias. Dentre as afecções que podemos encontrar neste órgão temos desde doenças agudas, que exigem intervenção imediata como a obstrução do ducto biliar, até doenças de curso mais crônico, que podem levar muito tempo até manifestarem sintomas clínicos. 

Os exames laboratoriais podem indicar a presença de doença hepática ou a diminuição da sua função. No entanto, os resultados devem ser interpretados com cautela, pois alterações podem estar relacionadas a diversos fatores, muitas vezes de origem extra-hepática.  

No texto de hoje, vamos abordar as principais enzimas que podemos utilizar para o diagnóstico de hepatopatias. 

Existem três tipos de doenças hepáticas: doença hepatocelular, biliar ou hepatobiliar. Isso porque algumas doenças acometem mais os hepatócitos, enquanto outras afetam as células biliares. E também é bastante comum encontrar os dois quadros juntos: doença hepatocelular que evolui e acomete secundariamente vias biliares e distúrbios biliares que acabam afetando os hepatócitos também. 

A insuficiência hepática consiste na redução da função hepática e pode, ou não, estar presente nas doenças hepáticas. Doenças hepatocelulares e biliares podem levar à Insuficiência Hepática, que pode ou não ser reversível. 

O termo Função Hepática é bastante difundido na medicina veterinária e normalmente é usado para descrever a dosagem de ALT, AST, GGT e Fosfatase Alcalina. Entretanto, este termo é considerado inadequado pois nenhuma dessas enzimas é hepato-específica sua dosagem não possibilita determinar o funcionamento do órgão, apenas se há lesão. É comum encontrar animais com alterações séricas destas enzimas e com pleno funcionamento do fígado.  

Outra observação importante é que a Insuficiência hepática não é necessariamente acompanhada por aumentos na atividade destas enzimas. 

Dentre as possíveis avaliações laboratoriais que podemos fazer do fígado, vamos abordar os dois principais grupos de enzimas: enzimas de extravasamento e enzimas de indução. O conhecimento dos mecanismos envolvidos no aumento sérico destas enzimas é fundamental para interpretar alterações laboratoriais do fígado e embora, na maioria dos casos de hepatopatia as atividades das enzimas de indução e extravasamento encontrem-se aumentadas, a magnitude do aumento pode ser um importante indicativo da origem do processo.  

Enzimas de Extravasamento 

Enzimas de extravasamento consistem em enzimas que estão naturalmente presentes no citoplasma dos hepatócitos dos animais. Elas tendem a se apresentar em um determinado nível constante na corrente sanguínea. A lesão dos hepatócitos, seja por rompimento dos mesmos ou aumento da permeabilidade da membrana celular, leva a um aumento destas enzimas na circulação sanguínea.  

– ALT (alanina aminotransferase): está presente livre no citoplasma das células. Em cães e gatos, sua maior concentração é encontrada no interior de hepatócitos e por isso é frequentemente a enzima de indução de escolha para avaliação laboratorial do fígado destas espécies. Sua maior concentração sugere morte de hepatócitos ou lesão sub-letal destas células. A ALT também está presente no citoplasma das células musculares, portanto lesões musculares graves podem levar a uma maior concentração sérica da enzimaDentre as doenças que podem aumentar a atividade sérica da ALT podemos citar hipóxia, alterações metabólicas (acúmulo de lipídio nos hepatócitos), toxinas bacterianas, medicamentos, neoplasias hepáticas e substâncias químicas tóxicas. 

– AST (aspartato aminotranferase): está presente em altas concentrações nos hepatócitos e células musculares de todas as espécies. Encontra-se predominantemente no citoplasma, com menores concentrações nas mitocôndrias.  O aumento na sua concentração sérica está relacionado à lesão letal ou sub-letal de hepatócitos ou de células musculares. As mesmas doenças que provocam aumento na concentração de ALT podem levar a um aumento de AST, embora em menor magnitude. 

 

Enzimas de Indução  

Enzimas de indução são enzimas que são produzidas em maior quantidade quando há lesão celular. As enzimas aqui descritas são chamadas de enzimas de detecção de colestase, pois o aumento em sua produção está relacionado ao comprometimento do fluxo biliar. Elas estão presentes na membrana celular e dependem da produção quando há lesão, portanto sua concentração sanguínea tende a subir mais lentamente que a concentração das enzimas de extravasamento.  

– Fosfatase alcalina (FA): essa enzima é sintetizada em vários tecidos como fígado, ossos, rins, intestinos, pâncreas e placentaEm animais domésticos, a maior parte da Fosfatase alcalina sérica é oriunda do fígado. A meia-vida das isoenzimas intestinal, renal e placentária é de alguns minutos, portanto altas concentrações séricas de FA dificilmente estão relacionadas a estes tecidos. Observa-se aumento de produção de FA em animais com colestase, alta atividade ostoblástica, indução por alguns medicamentos e diversas doenças crônicas. No fígado, a FA está presente nas células do epitélio biliar e nas membranas caniculares dos hepatócitos. Em cães, as doenças colestáticas podem provocar aumento acentuado na atividade sérica da FA. A meia-vida da FA induzida por colestase é de 3 dias em cães e 6 horas em gatos, razão pela qual a atividade sérica da FA não apresente alterações tão acentuadas em gatos como vemos em cães. Soma-se a isso uma menor concentração de FA por grama de tecido em gatos. Doenças hepáticas que causam tumefação significativa de hepatócitos, como lipidose hepática e inflamação do parênquima hepático, podem ocasionar obstrução dos canalículos biliares e levar a um aumento de atividade sérica da FA. O aumento sérico de FA também pode estar relacionado à isoenzima óssea. Animais jovens costumam apresentar valores altos de atividade sérica de FA devido à alta atividade osteoblástica. Dentre outras causas de aumento na atividade de FA de origem óssea podemos citar osteossarcoma, cicatrização de fraturas ósseas e hiperparatireoidismo. O aumento na atividade de FA pode ser induzido por medicamentos, principalmente em cães, e está relacionado a corticosteroides (exógenos ou endógenos) e anticonvulsivantes. 

– GGT (gama-glutamiltransferase): esta enzima é sintetizada na maioria dos tecidos, com altas concentrações no pâncreas, nos rins e na glândula mamária. A GGT está presente em baixas concentrações nos hepatócitos e no epitélio dos ductos biliares. A maior parte da GGT presente na circulação é oriunda do fígado. Apesar de ser considerada uma enzima de indução, a lesão hepática aguda pode provocar aumento imediato a atividade sérica de GGT devido à liberação de fragmentos de membrana que contém GGT. Colestase e hiperplasia biliar provocam aumento a produção e liberação de GGT. Em cães, a GGT é mais específica para o diagnóstico de doença hepática, porém menos sensível que a Fosfatase alcalina. Em gatos, a GGT é mais sensível para doenças hepáticas, porém menos específica que a Fosfatase alcalina. A exceção é para lipidose hepática em gatos, onde é comum encontrar aumento significativo na atividade da Fosfatase alcalina e discreto aumento de GGT, estando muitas vezes dentro dos valores de referência para normalidade. Cães também podem ter aumento de GGT induzido por medicamentos (corticosteroides, anticonvulsivantes), porém o aumento não é tão acentuado como o observado na Fosfatase alcalina.  

  

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